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A trajetória de superação de uma transexual brasileira das ruas de Salvador ao diploma de psicóloga.

Arianne Senna - a história de superação da primeira psicóloga trans de Salvador

A trajetória de superação de uma transexual brasileira das ruas de Salvador ao diploma de psicóloga.

Quem vê as fotos de formatura que a psicóloga Ariane Senna, 25 anos, posta com orgulho no Facebook, não imagina quantos obstáculos ela teve de enfrentar até alcançar o diploma. Negra, de origem pobre e vítima da incompreensão familiar, ela parecia destinada, como grande parte das transexuais brasileiras, a um fim trágico, evitado graças a persistência, dedicação e inteligência incomuns.

A primeira batalha de Ariane se deu ainda no útero. Fruto de uma gravidez indesejada, foi rejeitada pelo pai, que tentou evitar seu nascimento. Restou à mãe, Solange Moreira, criar a filha. A mulher vendia salgados na praia, o que garantia às duas apenas uma vida precária. Aos 5 anos, Ariane já havia passado noites seguidas ao relento e vencido uma séria desnutrição.

Ser acolhida pelos avós maternos não significou o fim dos problemas. A menina nascida com corpo de menino passou a enfrentar a incompreensão do avô e do meio-irmão, mais velho, que não aceitavam vê-la usando maquiagens e adereços femininos. Os dois brigavam, xingavam e batiam em Ariane, que acabou expulsa de casa aos 13 anos. A mãe foi junto: “Ela nunca me abandonou”, recorda a psicóloga, emocionada.

Hipocrisia

Mesmo adolescente, Ariane percebeu que só a escola lhe daria uma vida melhor, e decidiu que concluiria o ensino médio. Mas, além de estudar, precisava sobreviver. E a solução imediata se tornou a prostituição. Nessa época, foi estuprada, assaltada e até atropelada. “A juventude trans morre muito cedo porque, quando a gente é expulsa de casa, a gente vai parar na rua.” Conheceu também a hipocrisia. “Não te aceitam, mas vão te procurar na orla à noite”, conta.

Aos 17 anos, reconciliou-se com os avós e voltou para casa. Os dois, porém, faleceram pouco depois, e o irmão a expulsou mais uma vez. “Aí, eu já tinha passado pela transição. Tinha seios, megahair...”, lembra.

Iniciou uma nova batalha: conseguir emprego. “Essa é uma das maiores barreiras que as trans enfrentam. Falam que todas estão na prostituição, e, por isso, não dão trabalho. Mas com a falta de oportunidade, só resta a marginalidade.”

Disfarce

Logo ela descobriu que se vestir como homem aumentava as chances nas entrevistas de emprego. Para trabalhar, precisou encobrir sua identidade com uma figura masculina. “Foi muito sofrido, eu me olhava no espelho e não me via. Por isso, minhas experiências com carteira assinada não duraram mais do que um ano”, explica.

O desejo de seguir nos estudos continuava forte. O ensino médio havia sido concluído, e era hora de tentar uma faculdade. Para ela, a simples presença em um ambiente de ensino superior era um ato de resistência. “Nos negam acesso ao trabalho, à saúde, à segurança, à educação. É como se não existíssemos. Mas estamos aqui.”

Mesmo enfrentando discriminação em vários momentos, Ariane foi estudante exemplar e, em 2016, tornou-se a primeira psicóloga transexual de Salvador. Junto com o diploma, recebeu um certificado de honra ao mérito, por ser a melhor aluna da turma.

A trajetória de superação de uma transexual brasileira das ruas de Salvador ao diploma de psicóloga. Quem vê as fotos de formatura que a psicóloga Ariane Senna, 25 anos, posta com orgulho no Facebook, não imagina quantos obstáculos ela teve de enfrentar até alcançar o diploma. Negra, de origem pobre e vítima da incompreensão familiar, ela parecia destinada, como grande parte das transexuais brasileiras, a um fim trágico, evitado graças a persistência, dedicação e inteligência incomuns. A primeira batalha de Ariane se deu ainda no útero. Fruto de uma gravidez indesejada, foi rejeitada pelo pai, que tentou evitar seu nascimento. Restou à mãe, Solange Moreira, criar a filha. A mulher vendia salgados na praia, o que garantia às duas apenas uma vida precária. Aos 5 anos, Ariane já havia passado noites seguidas ao relento e vencido uma séria desnutrição. Ser acolhida pelos avós maternos não significou o fim dos problemas. A menina nascida com corpo de menino passou a enfrentar a incompreensão do avô e do meio-irmão, mais velho, que não aceitavam vê-la usando maquiagens e adereços femininos. Os dois brigavam, xingavam e batiam em Ariane, que acabou expulsa de casa aos 13 anos. A mãe foi junto: “Ela nunca me abandonou”, recorda a psicóloga, emocionada. Hipocrisia Mesmo adolescente, Ariane percebeu que só a escola lhe daria uma vida melhor, e decidiu que concluiria o ensino médio. Mas, além de estudar, precisava sobreviver. E a solução imediata se tornou a prostituição. Nessa época, foi estuprada, assaltada e até atropelada. “A juventude trans morre muito cedo porque, quando a gente é expulsa de casa, a gente vai parar na rua.” Conheceu também a hipocrisia. “Não te aceitam, mas vão te procurar na orla à noite”, conta. Aos 17 anos, reconciliou-se com os avós e voltou para casa. Os dois, porém, faleceram pouco depois, e o irmão a expulsou mais uma vez. “Aí, eu já tinha passado pela transição. Tinha seios, megahair...”, lembra. Iniciou uma nova batalha: conseguir emprego. “Essa é uma das maiores barreiras que as trans enfrentam. Falam que todas estão na prostituição, e, por isso, não dão trabalho. Mas com a falta de oportunidade, só resta a marginalidade.” Disfarce Logo ela descobriu que se vestir como homem aumentava as chances nas entrevistas de emprego. Para trabalhar, precisou encobrir sua identidade com uma figura masculina. “Foi muito sofrido, eu me olhava no espelho e não me via. Por isso, minhas experiências com carteira assinada não duraram mais do que um ano”, explica. O desejo de seguir nos estudos continuava forte. O ensino médio havia sido concluído, e era hora de tentar uma faculdade. Para ela, a simples presença em um ambiente de ensino superior era um ato de resistência. “Nos negam acesso ao trabalho, à saúde, à segurança, à educação. É como se não existíssemos. Mas estamos aqui.” Mesmo enfrentando discriminação em vários momentos, Ariane foi estudante exemplar e, em 2016, tornou-se a primeira psicóloga transexual de Salvador. Junto com o diploma, recebeu um certificado de honra ao mérito, por ser a melhor aluna da turma. Militância Há sete anos, iniciou sua militância em trabalhos como educadora social, na Instituição Beneficiente Conceição Macêdo, que cuida de crianças e famílias que vivem e convivem com o HIV/AIDS, em 2014. Atuou como vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da população LGBT do Estado da Bahia, em 2017. E, entre os anos de 2016 e 2020, foi secretária de Juventude da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Atualmente Ariane Senna é analista técnica na Coordenação de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Bahia, onde desenvolve trabalhos para o combate do machismo, feminicídio, racismo, Lgbfobia e intolerância religiosa. Hoje, casada com o professor de educação física Anderson da Cruz, os sonhos continuam: “Espero ter filhos e dar a eles algo que está em falta no Brasil: educação” Gostou deste texto? Curta, compartilhe e encaminhe para seus amigos e quem você achar que precisa de mais informações sobre o universo das mulheres trans. A informação adequada tem o poder de quebrar falsos paradigmas e modelos sociais que não fazem mais sentido nos dias em que vivemos. Viva as mulheres trans e todas as formas de amar!!

Militância

Há sete anos, iniciou sua militância em trabalhos como educadora social, na Instituição Beneficiente Conceição Macêdo, que cuida de crianças e famílias que vivem e convivem com o HIV/AIDS, em 2014. Atuou como vice-presidente do Conselho Estadual dos Direitos da população LGBT do Estado da Bahia, em 2017. E, entre os anos de 2016 e 2020, foi secretária de Juventude da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA). Atualmente Ariane Senna é analista técnica na Coordenação de Direitos Humanos da Defensoria Pública do Estado da Bahia, onde desenvolve trabalhos para o combate do machismo, feminicídio, racismo, Lgbfobia e intolerância religiosa.

Hoje, casada com o professor de educação física Anderson da Cruz, os sonhos continuam:

“Espero ter filhos e dar a eles algo que está em falta no Brasil: educação”

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A informação adequada tem o poder de quebrar falsos paradigmas e modelos sociais que não fazem mais sentido nos dias em que vivemos. Viva as mulheres trans e todas as formas de amar!!

Domingo, 13 de Setembro de 2020 Quinta, 17 de Setembro de 2020 às 16:31