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Homens gays podem se relacionar com mulheres trans?

Certo dia, uma amiga me abordou com o pretexto de me apresentar a um de seus amigos como um possível pretendente para mim, vulgo crush. No entanto, havia uma questão: eu sou uma mulher trans e o amigo dela é gay. Onde está o erro de minha amiga?

Na realidade, a resposta para a questão do título deste texto e para o erro de minha amiga é a mesma resposta e é muito simples. Me parece que coisas óbvias, muitas vezes, são atravessadas e encobertas por construções de ideias conservadoras, as quais nos impedem de acessar com naturalidade o que chamamos de óbvio, tornando o movimento do entendimento algo complexo.

Então vamos descomplicar, partindo de um pré-requisito básico para compreender essa questão?

O primeiro passo é entender a diferença entre sexualidade e identidade de gênero. Na sigla LGBT, por exemplo, as três primeiras letras referem-se à sexualidade. No caso de L ou G, diz respeito às pessoas que se interessam sexo-afetivamente por outras pessoas do mesmo gênero que o delas e B para pessoas que se atraem tanto pelo gênero masculino quanto pelo feminino ao mesmo tempo.

Apenas a letra T da sigla trata-se de identidade de gênero, que é quando uma pessoa não se identifica com o gênero compulsório, designado à ela ao nascer e baseado na genitália – a isso chamamos de gênero cisnormativo - e faz o movimento de transição para o outro gênero com o qual ela se compreende.

Por exemplo, uma pessoa designada socialmente homem ao nascer, pode se identificar ao longo da vida com o universo de performance do feminino, reconhecendo-se mais tarde como uma mulher trans e vice-versa.

A maioria das pessoas possui uma sexualidade e um gênero com o qual se identifica, portanto, todas as lésbicas tem um gênero e são necessariamente mulheres, assim como toda mulher trans tem pelo menos uma das sexualidades possíveis.

Eu sou uma mulher trans heterossexual e tenho amigas trans que são lésbicas. O fato delas terem se entendido no mundo como mulheres trans não alteraram sua sexualidade, por isso é comum ver mulheres trans com esposas, naturalmente.

Uma vez esclarecido o que chamei de pré-requisito básico, vamos à questão: um homem que se relaciona com uma mulher trans ou travesti é hétero ou gay?

Ele é hétero ou no mínimo está tendo um comportamento heterossexual. Ora, a performance de gênero pela qual um homem hétero se interessa é a performance do feminino e essa qualidade é própria de mulheres trans, travestis e de mulheres cis normativas.

Uma questão interessante disso tudo é que alguns homens heterossexuais casados sentem muito prazer em ser penetrados por suas esposas, seja com um dedo, seja com o pênis ou com artigos de sex shop. Esses homens desejam ser penetrados mas não se interessam e não buscam a performance do masculino para realizá-lo. A imagem e performance que os satisfazem é a do feminino.

Portanto se um homem hétero é penetrado por uma mulher trans, travesti, ou por uma mulher cisgênero, ele naturalmente é hétero ou está tendo um comportamento heterossexual.

Não haveria problema algum se eles fossem gays, mas não o são. O cerne do problema é sempre o mesmo: o machismo que desemboca na homofobia e na transfobia e que impedem pessoas que se interessam mutuamente de se relacionarem livremente, sem ser alvo de chacota e violência psicológica ou física.

E aí chegamos no erro de minha amiga. Querida amiga, mulheres trans podem até se interessar por gays, mas gays não se interessam por mulheres.

Eu estou falando em primeira pessoa, portanto no lugar de uma mulher trans, quando digo o termo “homem” no texto, me refiro a homens trans ou cisnormativos, seja ele hetero, bi, assexuado ou gay.

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A informação adequada tem o poder de quebrar falsos paradigmas e modelos sociais que não fazem mais sentido nos dias em que vivemos. Viva as mulheres trans e todas as formas de amar!!

Sexta, 03 de Julho de 2020 Sábado, 18 de Julho de 2020 às 15:56