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A luta das travestis por mais visibilidade e inclusão também acontece no esporte. Conheça os relato das dores e conquistas de atletas travestis.

Travestis no esporte: visibilidade e conquistas

A luta das travestis por mais visibilidade e inclusão também acontece no esporte. Conheça os relatos de dores e conquistas de atletas travestis.

Jéssica, Vôlei.

"Em 2009, fui barrada. Meu treinador teve que conversar com o delegado da partida. Eu quase tive de tirar toda a roupa"

A ficha no time de vôlei, na Espanha, registra: "Gercélio Bezerra Fernandes Albino Gama". Em quadra e na vida, é Jéssica. Simplesmente. Aos 15 anos, a travesti começou no vôlei, ao mesmo tempo em que se transformava diante da sociedade.

Jéssica hoje está na Europa, onde atua como líbero em um time formado por homens. Em 2009, nos Jogos Abertos do Interior do Ceará, na cidade de Pentecoste, quase precisou tirar a roupa para mostrar que, sim, poderia atuar no time masculino de Beberibe.

O técnico precisou defender. Era a primeira vez que ela, de algum jeito, atuava como de forma mais séria no esporte.

"Foi muito constrangedor, tive de mostrar documento. O árbitro quis me tirar da quadra. Mas, no fim, deu tudo certo.”

O vôlei foi algo que me fez me centrar em tudo, me fez ter a certeza de que o esporte pode tudo. Faz com que qualquer coisa se torne realidade", defende. O sonho de Jéssica, hoje, é atuar no feminino. Para isso, precisaria mostrar resultado do hormônio masculino baixo, com redução. O tratamento dura em média um ano e não há necessidade de fazer operação de mudança de sexo.

A travesti espera passar mais três anos na Europa. Em junho, participará, em Madri, dos Jogos do Orgulho Gay pelo Alfafar. "Muitas travestis no Brasil são extremamente boas no esporte. Mas o nosso país é atrasado na aceitação, é muito difícil", afirma.

Da família, houve estranhamento do pai na decisão de ser travesti. No vôlei, ela se inspira em Sheilla, ex-seleção brasileira.

"O esporte faz com que a mente esteja bem, esteja sempre voltada a coisas boas. Hoje, eu não me sinto constrangida".

Laleska, Arbitragem.

No apito, a realidade não é diferente. Laleska é travesti e irmã de Jéssica Fernandes, também citada na reportagem. Comanda as partidas amadoras de futebol no interior do estado e é um exemplo de que é possível se assumir homossexual e desempenhar uma função importante dentro de um esporte reconhecidamente masculino. Mas não é nada fácil.

"Eu apito desde 2010, sempre fui bem recebida por outros municípios, mas hoje estou pensando seriamente em deixar de apitar porque estou sofrendo preconceito na minha cidade, Morro Branco. São jogadores, alguns que não querem que eu apite. Porque eles acham que só homens heterossexuais sabem apitar jogos. Só tenho a lamentar por eles, perdem um grande talento", afirma Laleska, aos 38 anos.

Nas cidades de Fortim e Cascavel, no Ceará, ela conta que a recepção é afável. Valério, o nome de batismo, se descobriu-se homossexual aos 10 anos, mas só teve coragem de assumir-se travesti aos 15. Hoje é Valéria.

"Minhas amigas falam: 'Valéria, mulher, tu não era para gostar de futebol, porque travesti não deve estar em futebol'. É a única loucura minha"

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A informação adequada tem o poder de quebrar falsos paradigmas e modelos sociais que não fazem mais sentido nos dias em que vivemos. Viva as mulheres trans e todas as formas de amar!!

Quinta, 03 de Setembro de 2020 Quinta, 03 de Setembro de 2020 às 19:16