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Turismo Sexual em tempos de pandemia e seus dilemas: como fazer, com quem e como se proteger

Nestes novos tempos de pandemia em que estamos vivendo todos os aspectos da nossa vida estão sendo afetados em maior ou menor grau e a sexualidade e a libido em todos os seus nuances não são uma exceção.

É comum acontecer uma montanha-russa de sentimentos, alternando entre dias sem interesse sexual e outros em que é necessário muito autocontrole para não sair do isolamento social. O fato de que a sexualidade é afetada pela quarentena não pode ser generalizada. Nós temos, por um lado, relatos de diminuição da libido com queda da autoestima, irritação e desgaste pela convivência com a família no mesmo espaço, variações de humor, aumento do medo e da ansiedade.

Por outro lado diante deste cenário podemos vislumbrar aumento da masturbação, de consumo de pornografia e de exposição nas redes sociais. Essas diferenças variam de acordo com nossa experiência social e subjetiva da pandemia.

Porém a obrigação social de evitar o contato físico não faz desaparecer as necessidades afetivas e sexuais. Como vamos lidar com isso eticamente e de forma coletiva é um desafio constante que permanecerá entre nós por bastante tempo.

Até o momento, não há comprovação de que o coronavírus seja transmitido pelo sexo, já que ele não foi encontrado em fluidos corporais nem no sêmen. Mas pode ser transmitido pela saliva e a proximidade dos corpos pode ocasionar situações de transmissão.

Pandemia e ética sexual

A flexibilidade do isolamento social, que já está ocorrendo em alguns países, vai impor algumas questões éticas na arena sexual. As pessoas serão projetadas para os encontros novamente. É aí que teremos um sexo atravessado por muitas novas negociações, como por exemplo, com quem transar, como fazer, quais estratégias utilizar para se proteger.

O coronavírus poderá também trazer à tona preconceitos e valorizar antigos discursos moralistas. Podem aparecer novos estigmas sobre grupos sociais, como profissionais da saúde, chineses e solteiros, além de retomar discursos que romantizam a esfera da casa e da família, por exemplo.

Estamos criando um aparato de vigilância sobre os corpos que faz voltar os discursos sobre promiscuidade e os pânicos morais. Os solteiros tendem a ser socialmente julgados e colocados como grupo de contágio em relação aos casados que, em tese, estariam mais protegidos pela esfera do casamento e da família. Por tudo isso exposto é preciso vigilância para não transformarmos o coronavírus em uma doença moral, que responsabiliza os indivíduos e isenta a responsabilidade dos governos.

Aumento do consumo de pornografia

O consumo de pornografia online também aumentou com a pandemia de coronavírus: segundo o site de conteúdo pornô Brasileirinhas, em março o número de assinaturas por dia teve aumento de 50%. O Pornhub, maior site pornô do mundo, diz que registrou significativo aumento de tráfego. O número de acessos ao portal começou a aumentar no dia 1º de março. No dia 25 de março, a alta diária chegou a 24,4%. Em abril, as visitas diárias aumentaram entre 10% e 17%.

Mercado erótico

Uma pesquisa publicada no Brasil pela Associação Brasileira das Empresas do Mercado Erótico e Sensual (Abeme) mostrou que de março à metade de maio, as vendas de produtos eróticos aumentaram 4,12% em relação ao mesmo período do ano passado. Se considerarmos somente os vibradores e consolos, o aumento foi de 50% (mais de 1 milhão de vibradores vendidos em dois meses).

Para aproveitar o aumento do interesse do brasileiro por produtos de sex shop durante o isolamento social, a Abeme informou que os lojistas têm oferecido grupos de apoio sexual no WhatsApp e lives com terapeutas sexuais que dão dicas de masturbação, sexo durante a quarentena, sexo virtual, grupos de swing (troca de casais) online e até de como decorar a casa como um motel.

Tais números demonstram que a pandemia está alterando a maneira como lidamos com o sexo, substituindo o contato físico por ferramentas físicas e virtuais que nos permitem vivenciar a sexualidade ainda que de forma indireta.

O momento nos faz pensar o que vamos construir daqui para frente em muitos aspectos da vida social e a sexualidade é um debate que deve estar em pauta. Discutir sexo e sexualidade também é uma oportunidade de pensar sobre ética, afeto, relações de gênero e até violência no pós-pandemia.

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A informação adequada tem o poder de quebrar falsos paradigmas e modelos sociais que não fazem mais sentido nos dias em que vivemos. Viva as mulheres trans e todas as formas de amar!!

Sexta, 03 de Julho de 2020 Sexta, 03 de Julho de 2020 às 14:04